sábado, 3 de maio de 2014


BBC
03/05/2014 12h15 - Atualizado em 03/05/2014 14h05

Gêmeas separadas aos cinco meses se reencontram após 78 anos

Britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel viveram maior parte da vida em países diferentes e serão tema de estudo sobre gêmeos criados em lares separados.

Da BBC
As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: Reprodução/BBC)As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: Reprodução/BBC)
Ao investigar a história de sua família, a britânica Ann Hunt, de 78 anos, descobriu algo surpreendente, de que jamais havia suspeitado: tinha uma irmã gêmea.
Ann e sua irmã idêntica, Elizabeth Ann Hamel, foram separadas quando tinham apenas cinco meses e só voltaram a se encontrar na última quinta-feira (1º), na localidade de Fullerton, na Califórnia.
As duas irmãs se abraçaram longamente e fizeram pose para os fotógrafos que acompanharam o encontro.
Estavam visivelmente emocionadas.
As gêmeas nasceram na localidade de Aldershot, em fevereiro de 1936. Sua mãe era a cozinheira Alice Alexandra Patience Lamb, de 33 anos, e seu pai servia no Exército Britânico.
Eles não eram casados e, sem apoio para cuidar das gêmeas, Alice resolveu entregar pelo menos uma delas para adoção.
Como Elizabeth nasceu com escoliose - uma deformidade da coluna vertebral - a cozinheira achou que seria mais difícil para uma família aceitá-la, então resolveu ficar com a bebê.
Ann, que originalmente se chamava Patrícia Susan, foi adotada por um casal de Aldershot - Hector e Gladys Wilson - e cresceu como filha única, sem saber que tinha uma irmã.
Já Alice e Elizabeth moraram primeiro na cidade de Berkhamsted, depois em Londres, e, após a cozinheira se casar com um homem chamado George Burton, acabaram se mudando para Chester, também na Inglaterra.
Elizabeth ficou sabendo que tinha uma irmã quando era adolescente e, aos 15 anos, se alistou na Marinha Britânica, sendo envianda para a ilha de Malta.
Foi lá que ela conheceu seu marido, Warren 'Jim' Hamel, um páraquedista do exército americano.
Eles se casaram em 1964 e se mudaram para o Oregon, no noroeste dos Estados Unidos, onde criaram seus dois filhos, Quinton e Jeff.
As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: BBC)As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: BBC)
Reencontro
Em 2001, quando a mãe adotiva de Ann morreu, a britânica resolveu obter uma cópia de sua certidão de nascimento.
No papel, viu que sua mãe biológica era Alice, mas não havia nada sobre uma irmã gêmea.
A filha mais nova de Ann, Samantha, resolveu ajudá-la a buscar suas raízes. Colocou anúncios no jornal local, investigou listas eleitorais e começou a procurar informações em fóruns de internet.
Ela conseguiu descobrir que Alice, morta em 1980, tinha se casado aos 49 anos com Burton na cidade de Chester e tinha um enteado chamado Albert.
Após mais de uma década de investigações, Samantha descobriu que Albert tinha morrido em 2013, mas conseguiu encontrar seu filho.
Foi ele quem lhe disse que Elizabeth vivia nos Estados Unidos e tinha uma irmã gêmea.
Em abril do ano passado, a britânica estava verificando sua caixa de e-mail em sua casa no Oregon, quando deparou-se com uma mensagem de Aldershot que começava da seguinte maneira: 'Estou escrevendo porque busco uma conexão familiar...' Já sabia do que se tratava.
Em questão de minutos as duas irmãs gêmeas, que tinham sido separadas por quase oito décadas, já estavam se falando no telefone. E nos meses seguintes, conversaram bastante por Skype.
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As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: BBC)As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: BBC)
"Sempre quis uma irmã"
A família de Elizabeth contactou Nancy Segal, diretora do Centro de Estudos de Gêmeos da Universidade do Estado da Califórnia, em Fullerton, que obteve o financiamento para o reencontro das gêmeas.
"Estou muito feliz por finalmente ter conseguido reencontrar minha irmã", Elizabeth disse à BBC, logo após o encontro.
"Foi como comemorar meu aniversário e o Natal ao mesmo tempo", definiu Ann, que pegou um avião pela primeira vez na vida para encontrar Elizabeth.
"Sempre quis uma irmã e agora eu tenho. Quero passar um tempo com ela, para que ela me conte coisas sobre nossa mãe e me diga como era quando jovem, para ver se nos parecemos. Por enquanto já sei que temos algo em comum: meu marido se chamava Jim e o seu também."
As gêmeas passarão um tempo em Fullerton para participar de um estudo conduzido por Nancy Segal sobre gêmeos criados em lares separados.
"Esse é um caso único, porque elas ficaram separadas por mais tempo que qualquer outro par de gêmeos no mundo", explicou Segal à BBC.
Quando o estudo terminar, Elizabeth levará Ann e sua filha para o Oregon para que elas conheçam sua família.
As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: BBC)As britânicas Ann Hunt e Elizabeth Hamel se reencontraram nesta quinta-feira (1º), após 78 anos separadas (Foto: BBC)

quinta-feira, 1 de maio de 2014


France Presse
01/05/2014 16h50 - Atualizado em 01/05/2014 17h32

Implante cerebral para restaurar memória é desenvolvido pelos EUA

Pesquisa poderá ajudar milhões de pessoas com Mal de Alzheimer.
Soldados com lesões cerebrais graves também poderão se beneficiar.

Da AFP
Neurônios afetados pela doença de Alzheimer apresentam diferenças sutis com os saudáveis, mas suficientes para causar uma doença que afeta a capacidade de memória e aprendizado. (Foto: Faculdade de Medicina de San Diego / Universidade da Califórnia / Nature / Divulgação)Neurônios afetados pela doença de Alzheimer (Foto:
Faculdade de Medicina de San Diego / Universidade
da Califórnia / Nature / Divulgação)
Sonho de muitos mortais, apagar ou recuperar da memória uma recordação pode se tornar realidade graças a um grupo de pesquisadores militares que desenvolvem um implante cerebral capaz de restaurar recordações de soldados e pacientes com problemas neurológicos.
A Agência de Investigação de Projetos Avançados de Defesa (DARPA) desenvolve um plano de quatro anos para construir um sofisticado estimulador de memória. Caso tenha sucesso, a pesquisa poderá beneficiar, por exemplo, milhões de pessoas acometidas com o Mal de Alzheimer.
O projeto faz parte de um investimento de US$ 100 milhões concedido pelo presidente Barack Obama, que visa fomentar pesquisas de aprofundamento na compreensão do cérebro humano.
A ciência nunca tentou tal façanha antes, e o tema levanta inúmeros questionamentos éticos, como por exemplo se a mente humana pode ser manipulada com o intuito de controlar feridas de guerra ou o envelhecimento do cérebro.
Assim como quem sofre de demência, as pesquisas poderão ajudar os cerca de 300 mil soldados norte-americanos que sofreram lesões cerebrais graves no Iraque e no Afeganistão.
"Se você ficou ferido no cumprimento de seu dever e não consegue se lembrar da sua família, queremos ser capazes de recuperar este tipo de função", disse esta semana o gerente do programa do DARPA, Justin Sánchez, em conferência realizada em Washington, organizada pelo Centro de Saúde Cerebral da Universidade do Texas.
"Pensamos que podemos desenvolver dispositivos neuro-protésicos que possam interagir diretamente com o hipocampo para restaurar o primeiro tipo de recordação que apontamos, a memória declarativa", disse.
A memória declarativa, também chamada de memória explicita, é uma forma de memória de longo prazo que armazena a identificação de pessoas, acontecimentos, feitos e números. Nenhuma pesquisa conseguiu mostrar como, uma vez perdidas, estas lembranças podem ser recuperadas.
Como um marcapasso
O que os cientistas da área são capazes de fazer até o momento é ajudar a reduzir os tremores de pessoas que sofrem do Mal de Parkinson, controlar as convulsões de epilépticos e melhorar a memória de alguns pacientes com Alzheimer através de um processo chamado estimulação cerebral.
Estes dispositivos, inspirados nos marcapassos usados por pacientes que sofrem de problemas cardíacos, enviam sincronizadamente estímulos elétricos ao cérebro, mas não funcionam de maneira igual em todos os doentes.
Os especialistas garantem que é necessário desenvolver algo parecido para trabalhar na recuperação da memória. "A memória é um assunto de padrões e conexões", explicou Robert Hampson, professor associado da universidade Wake Forest.
"Para desenvolvermos a prótese de memória, devemos primeiramente ter algo que nos mostre quais são os padrões específicos", ressaltou Hampson, negando-se a falar explicitamente sobre a pesquisa do DARPA.
A investigação de Hampson em roedores e macacos tem demonstrado que os neurônios do hipocampo - zona do cérebro que processa a memória - se ativam de maneiras diferentes quando o sujeito vê a cor vermelha ou azul, ou quando é confrontado com uma fotografia de um rosto ou de um alimento.
Munido desta descoberta, Hampson e seus colegas puderam estender a memória de curto prazo dos animais usando próteses cerebrais para estimular o hipocampo.
Os pesquisadores também conseguiram que um macaco dopado agisse quase normalmente ao realizar uma tarefa de memória, e o confundiram manipulando o sinal para que ele escolhesse a imagem oposta da que ele se lembrava.
Assim, segundo Hampson, para restaurar uma lembrança humana específica, os cientistas necessitariam saber qual é exatamente o padrão, ou caminho, para aquela memória.
Outros cientistas da área consideram que podem melhorar a memória de uma pessoa ajudando o cérebro a trabalhar de forma similar à que trabalhava antes de sofrer a lesão cerebral.
Preocupações éticas
É fácil prever que a manipulação das lembranças de uma pessoa abrirá um campo de batalha ético. Foi o que disse Arthur Caplan, médico especializado em ética do centro médico de la Universidade Langone, em Nova York.
"Quando você mexe com o cérebro, mexe com sua própria identidade", disse Caplan, que presta consultoria à DARPA em assuntos de biologia sintética.
"O custo de alterar a mente é que se corre o risco de perder sua identidade, e este é um tipo de risco que nunca enfrentamos antes".
No que diz respeito aos soldados, a possibilidade de que seja factível apagar memórias ou inocular novas recordações pode interferir nas técnicas de combate, fazer com que os soldados sejam mais violentos e menos escrupulosos, ou até mesmo manipular o andamento de investigações de crimes de guerra, advertiu Caplan.
"Se eu puder tomar uma pílula ou colocar um capacete para que algumas lembranças sejam apagadas, talvez eu não tenha que viver com as consequências do que faço", disse.
A página da DARPA na internet assinala que, devido a seus "programas levarem a ciência até seus limites", a agência "periodicamente consulta estudiosos com gabarito para aconselhar e discutir temáticas de relevância ética, legal e social".
Uma das muitas perguntas sem resposta sobre o projeto é quem estará à frente dos primeiros testes em seres humanos, quais serão as primeiras cobaias.
Sánchez afirmou que os próximos passos da pesquisa serão anunciados dentro de poucos meses. "Temos alguns dos cientistas mais talentosos de nosso país trabalhando neste projeto. Então fiquem ligados: muitas coisas promissoras estão por vir num futuro muito próximo".

27/04/2014 15h38 - Atualizado em 27/04/2014 15h38

Grupo de desenvolvedores

cria jogo on-line com 

conteúdo para o Enem

Plataforma tem como objetivo dinamizar e potencializar o aprendizado.
Ferramenta de estudo foi criada por especialistas em inovação e educação.

Waldson CostaDo G1 AL

Analistas de sistemas responsáveis pelos Meu Tutor são especialistas em inovação para educação (Foto: Waldson Costa/G1)Responsáveis pelo Meu Tutor são especialistas
em inovação (Foto: Waldson Costa/G1)
Um grupo de desenvolvedores vinculados à Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Universidade de São Paulo (USP) criou uma plataforma on-line para facilitar os estudos e melhorar a assimilação de conteúdos para quem pretende se submeter ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), prova que é um dos principais meios de avaliação de diversas universidades do país.
Em atividade há pouco mais de 9 meses, a ferramenta de estudo batizada como "Meu Tutor" é uma espécie de jogo on-line que reúne discussões e questões sobre disciplinas como: Português, Literatura, Matemática, Física, Química, Biologia, História, Geografia, Inglês e Espanhol através de vídeo-aulas, leituras e resolução de questões.

No entanto, o diferencial da plataforma que é considerada mais uma ferramenta para auxiliar os estudo está na gamificacão do conhecimento, método que trata os assuntos de forma divertida e desafiadora, e na capacidade da personalização e compartilhamento da aprendizagem. É o que explica o co-fundador do Meu Tutor, o doutor e pesquisador em soluções educacionais, Ig-Ibert Bittencourt.

“Considerado um sistema integrado de educação, o Meu Tutor propõe otimizar a assimilação de conhecimento e potencializar o aprendizado. Para isso, a plataforma desafia o estudante e o bonifica com prêmios virtuais. De forma personalizada a ferramenta também identifica as limitações de aprendizagem para discutir melhor o assunto em questão, fazendo com que o aluno supere a dificuldade. Além disso, a plataforma aposta na experiência social, permitindo que o estudo seja feito de forma individualizada ou em grupo, com desafios entre os participantes que podem competir pelo conhecimento”, diz Bittencourt.
Inovação
A plataforma foi desenvolvida por especialistas da área de inovação vinculados . A ideia é modernizar a educação brasileira, tornando-a mais dinâmica e atrativa. O jogo, que disponibiliza maratonas de conhecimento gratuitas por tempo limitado, cobra R$ 9,90 mensal pelo serviço que já conta com mais de 5 mil usuários.
“O valor é simbólico diante das vantagens proporcionadas pelo sistema integrado de educação. Pois, levantamentos recentes mostraram que quem usa a ferramenta como complemento de estudo consegue aumentar o desempenho da capacidade de aprendizagem em até 150%”, expõe o co-fundador do Meu Tutor, Olavo Holanda, ao enfatizar que o ideal é que o estudante una o estudo tradicional à ferramenta educacional.
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01/05/2014 06h00 - Atualizado em 01/05/2014 08h58

Estudante de SP cria 

versão em quadrinhos 

de episódios históricos

Letícia Rossi, de 19 anos, quer deixar a aula de história mais divertida.
Jovem estuda na USP, mas pretende se mudar para os Estados Unidos.

Vanessa FajardoDo G1, em São Paulo
Leticia Rossi faz os quadrinhos para deixar a aula de história mais divertida (Foto: Arquivo pessoal)Leticia Rossi faz os quadrinhos para deixar a aula de história mais divertida (Foto: Arquivo pessoal)
Uma estudante de São Paulo transforma acontecimentos históricos em quadrinhos. Letícia Rossi dos Santos, de 19 anos, já criou 21 desenhos de diferentes períodos da história mundial, que vão desde episódios da Idade Média até a Moderna. O próximo desenho será sobre or processos de unificação da Itália e da Alemanha.
"Sempre desenhei livremente, como hobby, só em 2012 fiz um curso básico de desenho por um mês. Com os quadrinhos, o objetivo era ajudar os alunos de alguma forma, porque as pessoas acham história uma disciplina chata. A ideia era fazer um resumo mais divertido", diz.
A jovem criou um blog batizado de "História em Quadrinhos" e uma página no Facebook para divulgar o trabalho e se surpreendeu ao receber o pedido de professores para usar os desenhos em suas aulas. "Comecei pensando nos alunos, acho que eles poderiam se interessar mais pelas aulas, mas acabou ajudando até os professores, algo que eu nem esperava."
Letícia concluiu o ensino médio no Colégio Etapa, em São Paulo, em 2012, e começou a  estudar ciências da computação na Universidade de São Paulo (USP) neste ano. Agora, planeja se mudar para os Estados Unidos, onde tem a possibilidade de mesclar os estudos de artes e computação gráfica. A brasileira foi admitida na Amhersy School e está na lista de espera das universidades de Columbia e Chicago.
Letícia criou história em quadrinhos sobre as grandes navegações (Foto: Arquivo pessoal)Letícia criou história em quadrinhos sobre as grandes navegações (Foto: Arquivo pessoal)
Quadrinhos da Era Napoleônica feita por Letícia (Foto: historiaemquadrinhosblog.blogspot.com.br)Quadrinhos da Era Napoleônica feita por Letícia (Foto: historiaemquadrinhosblog.blogspot.com.br)
Letícia reproduz a Revolução Industrial em história em quadrinhos  (Foto: historiaemquadrinhosblog.blogspot.com.br)Letícia reproduz a Revolução Industrial em história em quadrinhos (Foto: historiaemquadrinhosblog.blogspot.com.br)

30/04/2014 19h41 - Atualizado em 30/04/2014 19h41

Células-tronco humanas 

conseguem regenerar 

coração de macaco

Tratamento foi capaz de regenerar 40% de tecido danificado por infarto.
Resultado traz esperança de que estratégia possa ser usada em humanos.

Do G1, em São Paulo

Cientista Charles Murry mostra um recipiente com células cardíacas derivadas de células-tronco humanas em seu laboratório  (Foto: Clare McLean/University of Washington/Divulgação)Cientista Charles Murry mostra um recipiente com células cardíacas derivadas de células-tronco humanas em seu laboratório (Foto: Clare McLean/University of Washington/Divulgação)
Células de fibras musculares cardíacas produzidas a partir de células-tronco embrionárias humanas foram capazes de estimular a recuperação de corações infartados de macacos. Esse resultado, descrito em um artigo publicado nesta quarta-feira (30) na revista científica “Nature”, representa uma esperança de que uma estratégia semelhante possa ser bem sucedida também em humanos.
Até então, o método havia sido testado com sucesso apenas em mamíferos menores, como camundongos e ratos. “Antes deste estudo, não se sabia se era possível produzir um número suficiente dessas células e usá-las para regenerar músculo cardíaco danificado em um animal grande, cujo coração tem tamanho e fisiologia similares aos dos humanos”, diz o cientista Charles Murry, professor de patologia e bioengenharia da Universidade de Washington e um dos autores da pesquisa.
Para testar a terapia, Murry e sua equipe induziram um tipo de infarto no coração de sete macacos, bloqueando a artéria coronária dos animais por 90 minutos. Os animais estavam anestesiados durante o processo. Duas semanas após o infarto induzido, os pesquisadores injetaram no coração de cada macaco um bilhão de células musculares cardíacas derivadas de células-tronco embrionárias humanas. Todos tinham recebido terapia imunossupressora para evitar a rejeição das células humanas transplantadas.
Imagem mostra enxerto de células cardíacas derivadas das células-tronco humanas (em verde) entrelaçadas com as células cardíacas do primata (em vermelho)  (Foto: Murry Lab/Universidade de Washington/Divulgação)Imagem mostra enxerto de células cardíacas
derivadas das células-tronco humanas (em verde)
entrelaçadas com as células cardíacas do primata
(em vermelho) (Foto: Murry Lab/Universidade de
Washington/Divulgação)
O resultado foi que as células injetadas se integraram ao tecido danificado pelo infarto e começaram a apresentar batimentos em sincronia com as células cardíacas do animal. O tratamento conseguiu, em média, uma regeneração de 40% do tecido cardíaco danificado. Em alguns dos macacos, a estratégia resultou em uma maior capacidade de bombear sangue. Foi verificado também que vasos sanguíneos cresceram através do tecido cardíaco novo, derivado das células humanas.
“Os resultados mostram que nós podemos agora produzir o número de células necessário para terapia humana e obter a formação de músculo cardíaco novo em uma escala que é relevante para melhorar a função do coração humano”, disse o pesquisador Michael Laflamme, também professor da Universidade de Washington.
Os próximos objetivos da pesquisa serão reduzir o risco de arritmias – observadas nos macacos estudados – e demonstrar definitivamente que o tratamento com células-tronco é capaz de aumentar a capacidade de bombeamento do coração.